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A Caixa

Joana!

 Estou te enviando esse vídeo, pois o único meio que eu consegui de entrar em contado contigo. Eu quero pedir que você não voltasse para cá, pois temo pela sua segurança. Não sei se estarei vivo para te proteger. Está acontecendo tudo de ruim dentro dessa casa. Tudo se tornou tão apavorante, tão nebuloso, tão caricato que é tão difícil de explicar e de acreditar. Faces distorcidas com marcas da brutalidade. Nós estamos sentimos medo, desde aquele dia que que eu abri a maldita caixa. As pessoas que conhecíamos antes perderam a consciência de quem são. Todos estão loucos, todos, nós estamos tentando fugir, mas o medo foi mais forte que nós. Minha cara, não volte para casa, fuja para bem longe, pois ele vai surgir. Não se preocupe comigo, pois não sei qual será meu destino…  AH NÃO! ELES ESTÃO TENTANDO ARROMBAR A PORTA. EU NÃO QUERO MORRER! EU TENHO MEDO JOANA… NÃO ABRA A CAIXA… NÃO QUERO MORRER… EU TE AMO MUITO…NÃO ABRA A CAIXA…
Soares olhou para o companheiro de farda que estava vasculhando cautelosamente a casa. O cheiro da morte era nauseante, sua vontade era de vomitar, mas tinha que se controlar, não podia dar esse mole para o novato, que quase esbarrou a televisão.  Uma palavra ficou em sua cabeça. Caixa. “O que será que está essa caixa?” Pensou, enquanto vasculhava cada canto da casa. Não havia nenhum sinal da tal caixa. Ele caminhou em direção ao novato.
- Encontrou alguma coisa?
- Sim, achei um corpo de um homem morto dentro do banheiro. – o jovem policial estava pálido e tentando controlar a náusea, mas mesmo assim conseguiu levar o parceiro até os corpos – Um corpo de uma mulher desmembrado, dentro da máquina de lavar, e cinco pessoas na mesma condição dela, dentro dos armários! – ele estava nitidamente apavorado, pois nunca tinha visto algo parecido – O homem parece ter morrido poucos dias antes dela.
Soares fez um esforço para empurrar o vômito de volta para o estômago. Aquela cena era horrível. O homem tinha se enforcado e devido ao estado avançado de decomposição o corpo cedeu, desprendendo a cabeça do corpo, ficando só a corda presa no cano do chuveiro. Ao ver os outros corpos, não conseguiu segurar o vômito. Tudo aquilo parecia um pesadelo.
- Olha o que eu achei! Disse Soares, chamando o novato.
O garoto se aproximou do seu superior o que repetiu o vídeo. O homem do vídeo era o mesmo que estava apodrecendo no banheiro. Ao olhar a foto do casal, a moça da foto do desktop era a mesma que estava desmembrada, julgou ele ser a tal Joana. O jovem sentiu o estômago revirar.
- O que aconteceu aqui? O rapaz estava em pânico.
- Eu não sei! – respondeu – Só sabemos que o cara tentou avisa-la, mas pelo que parece, foi tarde demais.
Eles chamaram apoio. Ficaram horas esperando os peritos e o departamento de homicídios. Ficaram da hora que encontraram o corpo até a hora da remoção. Soares sentiu que tinha algo que não se encaixava, vasculhou a casa novamente para ver se achava a caixa e nada. Pela primeira vez na vida, Soares se deu por vencido. Ele só queria entender o porque de tamanha violencia.  Todos foram embora. A casa ficou fechada, com suas manchas de sangue e silêncio amedrontador, mas só que ninguém percebeu que a caixa estava escondida atrás da TV.

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